Absolutismo Inglês em Comparação com o Francês e Guerra dos Cem Anos


Durante a Idade Média a monarquia inglesa era muito forte, não tendo ainda nenhum rival considerável na europa, isto possibilitou algumas investidas no continente, principalmente em território Valois durante a Guerra dos Cem Anos.

Comparando as duas monarquias, a britânica e a francesa, a mais forte (inglesa) foi a que produziu um estado absolutista mais fraco, ou seja, a Inglaterra em comparação com a França produziu um absolutismo mais fraco e menos duradouro. O motivo disto em síntese foi o grande poder constituído pelo Parlamento em nível Nacional, descreverei melhor isto adiante.

Na Inglaterra devido às condições insulares formou-se uma nobreza nacionalmente unificada, beneficiando de uma certa forma as relações entre o Rei e a classe dominante, dando-lhe mais poder político junto as instituições criadas de caráter coletivo, os Parlamentos. Esses parlamentos coexistiam com outros praticados no continente europeu, mas a grande diferença é que na Inglaterra esses eram de nível Nacional, diferente dos localizados no continente, que eram de caráter regional e não Nacional. Os parlamentos ingleses não possuíam alto grau de controle fiscal nem os direitos de convocação regular, mas em compensação detinham grande poder de veto junto a assuntos legislativos limitando o poder do Rei durante o absolutismo.
A nobreza medieval inglesa foi a mais voraz da Europa, com campanhas organizando ataques a vários reinos no continente europeu.

Durante Guerra dos Cem Anos a monarquia inglesa, beneficiou-se de um exército não especializado contratando recrutas de seus condados e mercenários estrangeiros. Os nobres ingleses que investiram nesses ataques contra os franceses, enriqueceram pois os franceses não possuíam ainda uma resistência a altura e em várias ocasiões perderam as guerras com exércitos maiores e mais bem equipados.

Somente com uma nova base fiscal e militar no governo de Carlos VII na Franca, esta passa a oferecer resistência aos ataques ingleses, a partir desse fato o poderio militar inglês entra em colapso no continente europeu, pois este começa a enfrentar exércitos melhores, mais bem equipados e treinados, isso provoca uma verdadeira revolução interna em busca de poder na Inglaterra se desembocando em uma guerra civil, que só chega ao seu fim com a hegemonia da dinastia Tudor em 1485, levando Henrique VIII ao poder.
Com o reinado de Henrique VIII na Inglaterra, instalou-se uma nova fase da monarquia, o novo monarca concentrou e fortaleceu as instituições centrais do poder real, com objetivo de fortalecer a monarquia frente ao Parlamento e trazer mais fundos para financiar as guerras.

Algumas de suas medidas foram:

- Conciliar e suprimir motins ou sedições.

- Proibição de tropas particulares.

- Subordinação da administração local ao Rei.

- Ampliação do poder real com a retomada de terras.

- Explorarão ao máximo de tributos alfandegários.

Através destas medidas o enriquecimento da monarquia foi um fato consumado, não recebendo muitos incômodos por parte dos Parlamentos.

Mas buscando expandir seus poderes ainda mais, Henrique VIII, lançou-se a intervir militarmente em vários conflitos da época entre países do continente europeu, não tendo nenhum sucesso e empobrecendo a monarquia, exaurindo seus cofres e suas propriedades.

Logo com a subida da rainha Elizabeth em meio mais uma vez, a revoltas populares e brigas pelo poder, deu-se o auge do absolutismo Inglês, no qual, com o governo de Elizabeth as guerras civis reduziram e a algum tempo depois não passavam de intrigas internas, porém com a inconstância doutrinária da igreja na Inglaterra criou-se uma espécie de puritanismo parlamentar gerando instabilidade política.

A supremacia militar inglesa já avia passado, no século XVI a Inglaterra não conseguia mais enfrentar os exércitos Valois e Espanhóis, então com a ameaça de uma invasão, cria-se um exército nacional de defesa, com cerca de 12 mil homens, enquanto os andarilhos e mendigos eram usados como forças de ação externa. Este exercito de proteção contava com a melhor tropa naval do mundo, portando a supremacia Inglesa passa a ser nesta época naval e depois de vencer a armada espanhola que pretendia estabelecer o catolicismo na ilha e acabar com a concorrência comercial Inglesa, a coroa não teve grandes aquisições porem foi vitoriosa.
Após estes fatores de influência externa, a Inglaterra voltou seus olhos para a Irlanda, tentando expandir seu domínio sobre as sociedades clânicas que ali se localizavam, usando das mais horríveis atrocidades para submeter os Irlandeses ao seu governo. Mas quando Elizabeth morreu em 1603 a Irlanda já estava anexada e mais uma vez, vemos as debilidades de uma força repressiva interna por parte dos Ingleses. Eles demoraram 9 anos para submeter um inimigo pré-feudal.

Após o período de Henrique VII e de Henrique VIII, foi aproveitada ainda no governo Elisabetano, a estrutura naval que havia se formado ao longo desses dois governos, as tropas foram modernizadas e a soberania naval inglesa em relação aos lusos e aos espanhóis foi estabelecida como já dito. Foram criados barcos ágeis e com canhões que possuíam um alcance de disparo grande.

Em 1603 com a morte de Elizabeth, sobe ao trono Jaime Stuart. Duas organizações políticas muito distintas estavam juntas através do mesmo governo.

A Escócia tal como a Irlanda, fora uma fortaleza celta. Recebera emigrantes escandinavos, irlandeses e germânicos, constituindo no século XI uma monarquia centralizada que abrangia quase todo o país. Quando a invasão anglo-normanda, ao invés de seguir o exemplo dos irlandeses que resistiram, os escoceses, pelo contrário, vão promover a absorção de costumes políticos, sociais, econômicos e administrativos dos ingleses, promovendo até mesmo casamentos mistos da nobreza.

A monarquia e a nobreza escocesas mantinham relações desarmônicas, ou melhor, não mantinham relações, nos séculos XIV e XV fazendo com que se instalassem revoltas em que os nobres ditavam as suas próprias leis.

Logo depois a tentativa de aliança por parte da casa Stuart com a França, o fato levou a uma revolta popular aristocrática que possibilitou de uma certa forma a reforma calvinista, mas apesar do contexto em que se aplicava a reforma a escócia continua com as suas características diferentes.

Com o governo de Jaime VI reconstruiu-se a escócia, ele melhorou a posição da monarquia em relação à nobreza, favorecendo assim as classes elevadas, incrementou o conselho privado, fez mudanças na igreja. Apesar destas alterações governamentais a escócia mantinha a mesma posição em relação à Inglaterra.
Transferida a dinastia Stuart para a Inglaterra, Jaime I devido às condições em que governava na escócia, não deu muita atenção ao Parlamento, que era o lugar central do poder dos nobres neste caso. Isso levou o governo de Jaime I a política externa imobilista, buscando uma aliança com a Espanha, e nem sempre atendendo a interesse dos nobres e do povo, vindo a falecer logo após, deixando o país a beira de uma revolta Parlamentar.

Por volta do século XVII no governo de Carlos I, ouve um enriquecimento inglês, com o surgimento e a ampliação das manufaturas em Londres, a situação no campo era calma, mas com o passar do tempo a guerra civil se instala outra vez.

Ouve uma crise no absolutismo Inglês, e que desmembraria a dinastia Stuart, e com duas medidas arbitrarias Carlos I fechou as portas da governabilidade da Inglaterra, que causou uma invasão escocesa levando a destruição de sua dinastia, um preço a pagar pela desmilitarização precoce da Inglaterra já que Carlos I não dispunha de um exercito forte o suficiente para enfrentar os escoceses, alias, o exercito que ele mantinha, já sofria a tempos com a falta de pagamento.

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