Breve história do surgimento do papel.



Breve história do papel

O objetivo deste pequeno texto é fornecer aos leitores do blog uma rápida incursão sobre a história do surgimento e evolução do papel.

Ao longo da história da humanidade, o papel sempre esteve ligado à cultura de diversos povos, pois a necessidade de registrar feitos e tradições sempre foi objetivo das mais antigas civilizações e povos. No texto, não abordarei sobre tipos de escrita, pois isso é matéria para um próximo artigo, devido à complexidade do assunto.

A cultura como expressão da inteligência humana, antecede a invenção da escrita e consequentemente a invenção do papel, pois temos demonstrações da inteligência humana nas pinturas rupestres de Lascaux e Altamira, por exemplo.

Antes da invenção do papel os seres humanos utilizavam diversos tipos de suportes e materiais para fazer seus registros, dentre eles, a madeira, ossos e couro de animais, além de paredes de cavernas, como pode se comprovar através das pinturas rupestres.

Com a invenção da escrita, o homem teve que criar suportes que pudessem ser manuseados, transportados e guardados com maior facilidade e dentro desta conjuntura, os sumérios aparecem como um dos primeiros povos a utilizar tábuas de argila para escrever e documentar. Além da pedra, o bronze também foi utilizado como suporte, mas foi no II milênio antes de Cristo que começaram a surgir novos suportes para a escrita, feitos a partir de vegetais e que ficaram conhecidos como “tapa” e são considerados os parentes mais próximos do papel que conhecemos hoje. Todavia, o papiro, que era produzido a partir das hastes do junco, fora um dos mais utilizados suportes na antiguidade. O junco era uma planta que crescia as margens do rio Nilo e outros solos pantanosos do Egito.

A palavra papel deriva do latim “papyrus” e a palavra grega “biblos” era a designação utilizada para chamar várias folhas de papiro empilhadas, por isso a palavra bíblia é utilizada para livros cujo número de páginas é bastante alto.

Embora o papiro egípcio tenha sido muito utilizado, em outras partes do mundo, outros povos começaram a desenvolver seu próprio suporte de escrita, também a partir de plantas. Na América pré-colombiana, os astecas desenvolveram o “otomi” que era um papel produzido da casca da figueira.

Na China e no Japão os suportes de escrita eram produzidos a partir do bambu e da amoreira, já no oriente médio, os povos utilizavam o linho e o cânhamo.

O pergaminho também foi um tipo de suporte bastante utilizado e deu lugar ao papiro por influência dos cristãos, pois era um tipo de suporte que podia ser reutilizado e lavado. Era produzido a partir da pele de bezerros e carneiros e teve muita importância para a sociedade ocidental devido a sua grande resistência ao tempo. Ele fora utilizado até o século XI em Roma como o principal suporte de escrita.

O surgimento do papel

Tal como muitas outras coisas, a descoberta do papel é atribuída aos chineses durante a dinastia HAN (206 a.C .- 220 d.C.). O diretor de oficinas do Império Chinês Cai Lun, revolucionou a forma de produzir papel a partir das fibras vegetais, utilizando também fibras advindas de roupas e outros materiais que possuíssem fibras vegetais reaproveitáveis. Sua contribuição importante para chegar ao resultado esperado, foi a adição de dispersantes químicos para facilitar o entrelaçamento das fibras, processo que não era feito para se chegar ao papiro. Após tentativas, conseguiram chegar a um resultado satisfatório, ficando o papel um material de fácil produção e que logo se espalhou por toda a China e ganhou o mundo. Os chineses utilizaram o novo produto para diversas coisas, como produção de leques, lanternas, pipas, papel higiênico, cartões, além de suportes para a pintura e a escrita de documentos. Os chineses também inventaram a moeda em forma de papel.

A disseminação da técnica se deu através dos monges budistas que migraram para a Koréia e o Japão, tendo o Japão se tornado o melhor produtor de papel devido ao refinamento da técnica. O Washi, ou papel japonês, até hoje é comercializado no mundo todo.

Os árabes também tem grande importância na disseminação da técnica do papel que absorveram dos chineses aproximadamente no século VII, com a expansão muçulmana. Estes também desenvolveram novas técnicas para se fazer papel, introduzindo o amido derivado da farinha de trigo para a colagem das fibras.

Com isso, o papel árabe tornou-se uma mercadoria muito procurada e chegou a Europa pela Sicília através de mercadores. É a partir da Europa que o papel ganha maior notoriedade e começa a ser produzido em manufaturas na Espanha, que tem o primeiro moinho de papel da história próximo a cidade de Valência.

Com o desenvolvimento do mercantilismo, principalmente nas cidades Italianas de Gênova e Veneza a produção de papel ganha ainda mais força e o processo de expansão marítima na Europa leva o conhecimento para a América. O primeiro moinho de papel que se tem notícia na América, fica nos Estados Unidos e data de 1690, seu objetivo era atender a demanda da imprensa que já havia se instalado na colônia.

Devido a evolução do capitalismo e os novos paradigmas lançados pela Revolução Industrial, à produção de papel no mundo todo, evolui com muita força e começa a se industrializar e se modernizar, para atender as novas demandas. No Brasil a indústria papeleira surge no século XIX, já como fábrica e não como manufatura.

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